E qualquer dia desses ainda me sai um poeminha de pano
bordado com essas flores
mais tantas borboletas quanto eu puder pintar.
Tal qual raio de sol da manhã no rosto,
uma criança entretida com os próprios sapatos.
Qualquer dia me sai um desses
de lã, linha, linho.
Do novelo dessa minha novela.
Por Adriana Kimura.
terça-feira, 12 de julho de 2011
domingo, 23 de janeiro de 2011
A música.
Nem sempre a banda é boa,
Nem sempre o cantor sabe cantar.
Faz balançar quem tá ali à toa.
Mas ninguém mais vai lembrar.
Tem quem repare na harmonia,
Tem quem estude cada verso.
Tudo se envolve na alegria
E depois some no Universo.
Ainda que a letra diga pouco,
Ainda que o som seja rouco,
Tem a que sempre se quer ouvir.
Por quem esteve ouvindo ao lado,
Quando se fez feliz o magoado,
Que não se vai nem mesmo depois de ir.
Nem sempre o cantor sabe cantar.
Faz balançar quem tá ali à toa.
Mas ninguém mais vai lembrar.
Tem quem repare na harmonia,
Tem quem estude cada verso.
Tudo se envolve na alegria
E depois some no Universo.
Ainda que a letra diga pouco,
Ainda que o som seja rouco,
Tem a que sempre se quer ouvir.
Por quem esteve ouvindo ao lado,
Quando se fez feliz o magoado,
Que não se vai nem mesmo depois de ir.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
"Estou em um estado muito novo e verdadeiro, curioso de si mesmo, tão atraente e pessoal a ponto de não poder pintá-lo ou escrevê-lo."
Se Clarice Lispector teve um dia dentro de si algo que se acreditasse incapaz de traduzir na sua arte, perdôo-me por ontem, com as mãos trêmulas e o pensamento fracassado em tentar idealizar tudo que em mim se configura como o sofrimento que eu não tenho e a complacência que não enxergo, ter simplesmente desistido da arte que se faria ali faltando-lhe ser artística.
De Heráclito a Clarice, dela para mim. Um instante vive fazendo do anterior passado sendo, simultaneamente, devorado pelo próximo. A verdade é que a efemeridade de tudo aquilo que em algum momento é, instala-se no que faz parte do que "somos" (?). Torna-se ali, no instante efêmero, eternidade.
Um instante voluptuoso, angustiante e terno a ponto de não poder artisticá-lo, infinito.
Se Clarice Lispector teve um dia dentro de si algo que se acreditasse incapaz de traduzir na sua arte, perdôo-me por ontem, com as mãos trêmulas e o pensamento fracassado em tentar idealizar tudo que em mim se configura como o sofrimento que eu não tenho e a complacência que não enxergo, ter simplesmente desistido da arte que se faria ali faltando-lhe ser artística.
De Heráclito a Clarice, dela para mim. Um instante vive fazendo do anterior passado sendo, simultaneamente, devorado pelo próximo. A verdade é que a efemeridade de tudo aquilo que em algum momento é, instala-se no que faz parte do que "somos" (?). Torna-se ali, no instante efêmero, eternidade.
Um instante voluptuoso, angustiante e terno a ponto de não poder artisticá-lo, infinito.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
VFCN.
Traz no rosto um charmoso sorriso sustentado ora na diplomacia de costume, ora na complacência esporádica. Galanteador com um quê de calhorda, ingênuo de quando e vez, mas mestre em tudo o que se determina a analisar (ainda que pelo canto dos olhos). Quantos de meus tantos devaneios aventurei na complexidade do que está sob este semblante? Que quer dizer este ou aquele espasmo facial? De quê são os toques destes dedos?
Há quem seja incapaz de pensar em todo espaço de uma vida o que se transmite em um dos seus olhares. Coexistem: o conhecimento efusivo de tudo que foi visto em frações de segundos (de uma vida de poucos dias a mais que a minha até então); a sensibilidade titânica de nascença; e a covardia de uma carapaça hereditária. Não há perspectiva que se encaixe. Tem de tudo, não um pouco, mas em plenitude.
Além de tudo o que é e que se pode observar, notar, constatar e até escrever, há ainda algo absurdamente grandioso que cabe entre os lábios selados nos beijos, entre os corpos unidos no amor e no silêncio dos mistérios expressivos. Seria diante de olhos anônimos: Minha cabeça sobre seu colo mirada e mirando suas expressões. A mim? Não sei que seria, mas é. E é maravilhosamente.
Esta euforia me faz ora afável, ora paranóica e o tempo todo me felicita e enlouquece. Que ele viva! Que eu viva! Mas, em nome da referida euforia, que vivamos de mãos dadas. É nisso que me faço hoje forte e no que me permito tão frágil.
E quanto à Eternidade, sempre mencionada em situações “análogas” (análogas?)... Ela é cada instantânea sensação (como o aroma dos abraços ou o calor da respiração próxima) que nunca se vai. Em cada singelo instante de nossas vidas se constrói toda a nova história posterior.
Há quem seja incapaz de pensar em todo espaço de uma vida o que se transmite em um dos seus olhares. Coexistem: o conhecimento efusivo de tudo que foi visto em frações de segundos (de uma vida de poucos dias a mais que a minha até então); a sensibilidade titânica de nascença; e a covardia de uma carapaça hereditária. Não há perspectiva que se encaixe. Tem de tudo, não um pouco, mas em plenitude.
Além de tudo o que é e que se pode observar, notar, constatar e até escrever, há ainda algo absurdamente grandioso que cabe entre os lábios selados nos beijos, entre os corpos unidos no amor e no silêncio dos mistérios expressivos. Seria diante de olhos anônimos: Minha cabeça sobre seu colo mirada e mirando suas expressões. A mim? Não sei que seria, mas é. E é maravilhosamente.
Esta euforia me faz ora afável, ora paranóica e o tempo todo me felicita e enlouquece. Que ele viva! Que eu viva! Mas, em nome da referida euforia, que vivamos de mãos dadas. É nisso que me faço hoje forte e no que me permito tão frágil.
E quanto à Eternidade, sempre mencionada em situações “análogas” (análogas?)... Ela é cada instantânea sensação (como o aroma dos abraços ou o calor da respiração próxima) que nunca se vai. Em cada singelo instante de nossas vidas se constrói toda a nova história posterior.
sábado, 13 de novembro de 2010
Um antigo poema.
Um poema escrito em aula, rapidamente, por um suspiro de inspiração angustiada. De 19 de agosto de 2010.
Suas mãos me levam a todos os lugares ou minha cabeça leva suas mãos.
Convida, acolhe, persuade, conduz.
Eu vou sim, eu sempre vou.
Fica tudo sob a imensidão dos nossos minutos camuflados e exatravagantes.
Eu converto seus toques, seus olhares e suas frases,
Eu me alimento dessas pequenas felicidades cáusticas.
Mas, um dia a realidade volta e você não.
Suas mãos me levam a todos os lugares ou minha cabeça leva suas mãos.
Convida, acolhe, persuade, conduz.
Eu vou sim, eu sempre vou.
Fica tudo sob a imensidão dos nossos minutos camuflados e exatravagantes.
Eu converto seus toques, seus olhares e suas frases,
Eu me alimento dessas pequenas felicidades cáusticas.
Mas, um dia a realidade volta e você não.
Sobre a infância.
Quero a espontaneidade ingênua, singela e maravilhosa de uma criança com chinelos e roupas desconectadas da moda padrão, cuja cabeça pensa pouco perto do que fazem os pequenos braços e pernas.
Quero chorar de rir, cansar de correr, ter medo de trovão e ter prazer em comer pudim de leite.
Um corpo sem preguiça, uma cabeça sem consciência da formação de ideologias, uma mente sem limites, um pulso sem relógio.
Acima de tudo, quero rir do que os adultos não acham graça, quero ser feliz pelos motivos que eles desconhecem, quero fazer o que não posso sem saber que é probido.
Quero chorar de rir, cansar de correr, ter medo de trovão e ter prazer em comer pudim de leite.
Um corpo sem preguiça, uma cabeça sem consciência da formação de ideologias, uma mente sem limites, um pulso sem relógio.
Acima de tudo, quero rir do que os adultos não acham graça, quero ser feliz pelos motivos que eles desconhecem, quero fazer o que não posso sem saber que é probido.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Artista.
Faço-me hoje artista por desejar tão fortemente o desejo de todo aquele que se identifica como tal. Não só esse de fazer nascer a prosa poética do que não se vê em versos e se liberta dos parágrafos, mas também o de tornar o escrever amor fazer amor,trazendo, em palavras, as lágrimas dos sofrimentos, o suor dos esforços, a angústia dos medos e a plena alegria de tudo que a proporciona. O sentimento do mundo traduzido pela estupefação dos artistas cunharia nesta terra, em qualquer arquivo eternizado, a plenitude da vida em suas elevadas instâncias. A vida pelo pouco que se vê, pelo mínimo que se pensa, mas pelo máximo explosivo do que é singelo.
Entre o lado esquerdo do meu rosto e o calor do peito dele, camuflado entre completo protetor e afável protegida, coube, hoje, um infinito. Congratulações aos artistas. São eles os que fazem desse infinito arte, permitindo que mais pessoas sintam-se como eu hoje.
Entre o lado esquerdo do meu rosto e o calor do peito dele, camuflado entre completo protetor e afável protegida, coube, hoje, um infinito. Congratulações aos artistas. São eles os que fazem desse infinito arte, permitindo que mais pessoas sintam-se como eu hoje.
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